Na casa da Copa, a confiança celeste de Lodeiros
Vitinho carregava a bola pela esquerda e tentou um passe para o meio. Um desvio aqui, outro ali, e a redonda caiu no pé esquerdo de Nicolas Lodeiro. Não havia tempo para dominar, nem distância que permitisse ao uruguaio chutar forte. A solução foi bater colocado, com muito efeito. "Não tinha muita coisa para fazer. Victor é um grande goleiro. Eu tinha que fazer a bola passar o mais longe possível dele e ela ficou perfeita para fazer isso". O tiro foi impecável, e o próximo movimento de Lodeiro foi para comemorar seu primeiro gol no Maracanã.

Aquele jogo entre seu Botafogo e o Atlético Mineiro valia pela Copa do Brasil, mas o jovem de 24 anos, em sua quarta partida no local, sabia da história do estádio. Desde pequeno, Lodeiro ouviu relatos do Maracanazo. E foi ali, naquela mesma trave, em 1950, que Alcides Ghiggia marcou o gol que deu ao Uruguai o título da Copa do Mundo, calando 200 mil brasileiros.

O próximo passo para Lodeiro e a seleção uruguaia é conquistar a classificação para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. O caminho, que parecia não ser tão complicado para os campeões da América, acabou mostrando-se repleto de obstáculos. A Celeste ocupa, hoje, a quinta colocação nas Eliminatórias Sul-Americanas e só não vive um cenário mais indigesto porque conquistou uma suada vitória por 1 a 0 sobre a Venezuela na última rodada. Agora, diante do Peru, que tem dois pontos a menos, o Uruguai tem outra partida decisiva no dia 6 de setembro, em Lima. E Lodeiro aposta que o time está pronto.

FIFA.com: É hora de sair de vez desta posição incômoda na tabela?
Nicolás Lodeiro: É mais um jogo decisivo, mais uma final, como nós chamamos este tipo de encontro, contra rivais diretos, que estão brigando pela classificação. Nossa seleção já sabe jogar este tipo de jogo. A partida contra a Venezuela foi muito difícil e ali pegamos confiança. Vamos encarar esse jogo como uma final, para mostrar que a o Uruguai é muito forte em situações difíceis.

Essa confiança foi responsável pelas boas atuações também na Copa das Confederações?
Sem dúvida. Acho que o ano passado foi difícil para nós. Os resultados não vieram. A Copa das Confederações serviu para mostrar, de alguma maneira, que o Uruguai tem potencial e recuperou a imagem que ficou da última Copa do Mundo e da Copa América. Havíamos perdido essa imagem de time vencedor, de time forte. Depois do jogo contra a Venezuela, a seleção pegou muita confiança e demonstrou na Copa das Confederações que está voltando a ser a mesma que foi na África do Sul e que foi campeã da América.

Em algum momento, você sentiu medo de não conseguir classificação para a Copa do Mundo?
Em nenhum momento. A situação foi complicando porque os resultados não apareciam. Você fica mais atento, mas não com medo. Sabíamos que iria ser uma situação difícil, mas a equipe está bem, com confiança e com muita vontade de jogar uma Copa perto de casa. Para nós, é muito importante.

A Copa das Confederações serviu para motivar ainda mais?
É um torneio parecido, mas a Copa do Mundo não tem comparação. É um acontecimento muito importante. Vai ser diferente. É importante que o Uruguai chegue, também pela nossa história de 1950. Estamos perto do Brasil, muita gente vai acompanhar, vai estar torcendo por nós. Para oUruguai, vai ser uma Copa diferente, e vamos estar com uma seleção muito boa.

Lembra de seu primeiro jogo no Maracanã?
Eu vim aqui no velho Maracanã com o Nacional (Uruguai), mas fiquei no banco. Era um jogo de Libertadores contra o Flamengo. Fiquei com a pele arrepiada. Para nós, o Maracanã representa muito. Poder estar ali, pisar no gramado, foi uma sensação linda.

Estar no Brasil, em um time que briga pela liderança, é importante nas suas pretensões de jogar uma Copa do Mundo em sua nova casa?
Muito. Na Holanda, eu jogava um jogo sim, outro não. Aí você perde ritmo, também perde confiança. Hoje, estou feliz aqui no Botafogo. Estou jogando sempre, com confiança, em um time bom, com ótimos companheiros e um conjunto muito bom. No clube, todas pessoas me tratam muito bem. E quando você está feliz, sente-se em casa e dá um rendimento melhor.