Homenagens e despedidas marcantes
Quando chega a hora de grandes ídolos do futebol pendurarem as chuteiras, muitas vezes os torcedores querem ter um último vislumbre dos seus heróis, ao mesmo tempo em que os clubes desejam prestar um tributo aos seus atletas de tantos anos.
Para tanto, países como a Inglaterra sempre tiveram a tradição do testimonial match, ou jogo de homenagem, geralmente promovido como uma espécie de agradecimento por parte do clube com relação aos longos serviços prestados por um atleta. Em uma época em que os salários eram muito mais reduzidos, esses duelos também serviam para angariar fundos e ajudar o jogador a iniciar a vida pós-aposentadoria. Hoje, eles têm um caráter menos financeiro e mais emotivo.
A tradição inglesa ganhou um capítulo espanhol recentemente, quando o atacante Raúl retornou triunfantemente ao Santiago Bernabéu para defender o seu Real Madrid por 45 minutos contra o Al Sadd. O eterno camisa 7 merengue balançou as redes na vitória de 5 a 0 e foi aplaudido até mesmo após trocar de camisa no intervalo para defender o time catariano com o qual já havia encerrado a carreira.
"Eu olhava para o placar esperando que os minutos não passassem", relembra. "Não poderia ter havido uma homenagem melhor, com o estádio cheio e jogando novamente com a camisa do Real Madrid. Foram muitos os detalhes daquele jogo. Recebi a camisa do Cristiano (Ronaldo) e a braçadeira do Casillas. Todos me fizeram sentir em casa."
O ex-jogador espanhol não foi o primeiro a vestir duas camisas diferentes em um único jogo. Ao se despedir do Cosmos em um amistoso contra o Santos, Pelé entregou no intervalo a camiseta verde ao pai depois de marcar um golaço de falta no primeiro tempo. Na etapa final, porém, não conseguiu repetir o feito pelo Peixe, que perdeu por 2 a 1.
Despedidas precoces
Pelé estava presente quando o mesmo Cosmos foi coadjuvante em uma cerimônia de despedida um pouco prematura para Paul Scholes em 2011. Após 17 anos no Manchester United, o jogador marcou um golaço na vitória por 6 a 0. "Agora só quero ser um deles, vendo esta equipe ir em frente para ganhar mais troféus", disse após a despedida.
Pelé estava presente quando o mesmo Cosmos foi coadjuvante em uma cerimônia de despedida um pouco prematura para Paul Scholes em 2011. Após 17 anos no Manchester United, o jogador marcou um golaço na vitória por 6 a 0. "Agora só quero ser um deles, vendo esta equipe ir em frente para ganhar mais troféus", disse após a despedida.
No entanto, ele preferiu não assistir ao título seguinte das arquibancadas e resolveu voltar aos gramados. Apenas seis meses depois da "aposentadoria", retornou ao time para ajudá-lo a conquistar o Campeonato Inglês.
Timing pior que o de Scholes somente o da homenagem a Alex Ferguson. O Manchester United escolheu honrar as realizações do seu treinador de maior sucesso depois da tríplice coroa de 1999, 14 anos antes de ele efetivamente deixar o Old Trafford após um reinado de 27 anos.
Tais amistosos são geralmente descontraídos, mas de vez em quando podem ser totalmente bizarros. O tributo do Atlético de Bilbao a Joseba Etxeberria após uma década e meia no clube se encaixa nessa categoria. Na ocasião, a equipe basca enfrentou um combinado de 100 meninos e meninas.
A partida foi um espetáculo, com crianças pululando pelo gramado de San Mamés, e com três goleiros também. Os profissionais não puderam nem mesmo contar com o melhor preparo físico, pois 100 jovens diferentes estavam esperando junto à linha lateral para entrarem no segundo tempo. Mas a meninada não conseguiu fazer valer a vantagem numérica e perdeu por 5 a 3.
Às vezes, o jogador é o espetáculo em si, e não há surpresa alguma no fato de a geração de ouro do futebol colombiano, com tantas figuras e personagens inesquecíveis, ter trazido uma extravagância extra às homenagens.
De limusine branca
Qualquer um que tenha visto Faustino Asprilla e as suas comemorações acrobáticas não achará tão estranho o fato de ele ter entrado em campo em uma limusine branca por ocasião de um jogo entre um combinado de amigos seus e o Nacional de Medellín.
Qualquer um que tenha visto Faustino Asprilla e as suas comemorações acrobáticas não achará tão estranho o fato de ele ter entrado em campo em uma limusine branca por ocasião de um jogo entre um combinado de amigos seus e o Nacional de Medellín.
Com o folclórico René Higuita em campo, a torcida desejava mais do que uma simples limusine: queria ver também o "escorpião", a famosa bicicleta invertida do arqueiro. Depois de alguns chutes a gol bastante altos e generosos, uma cobrança de falta alçada para a área resultou no lance e na festa da torcida, que gritou como se fosse um gol quando Higuita defendeu com os calcanhares.
Por outro lado, os torcedores nem sempre veem o que querem, como descobriu o também colombiano Carlos Valderrama em um jogo em homenagem sua. O duelo terminou 3 a 3, e ele bateu um pênalti na trave. Mesmo assim, o herói nacional ainda foi aplaudido ao ser substituído pelo filho.
Diversão em família
O uruguaio Enzo Francescoli colocou o filho em campo cinco anos antes, quando disse adeus a um mar de torcedores do River Plate em um Estádio Monumental lotado. Na ocasião, o craque uruguaio teve a oportunidade de enfrentar o clube pelo qual torcia quando criança: o Peñarol. Enzo marcou dois gols, mas o nome Francescoli ainda apareceu outra vez na vitória por 4 a 0, graças ao tento de um dos seus filhos.
O uruguaio Enzo Francescoli colocou o filho em campo cinco anos antes, quando disse adeus a um mar de torcedores do River Plate em um Estádio Monumental lotado. Na ocasião, o craque uruguaio teve a oportunidade de enfrentar o clube pelo qual torcia quando criança: o Peñarol. Enzo marcou dois gols, mas o nome Francescoli ainda apareceu outra vez na vitória por 4 a 0, graças ao tento de um dos seus filhos.
Do outro lado de Buenos Aires, um ídolo do Boca despediu-se da Bombonera em circunstâncias semelhantes. Martín Palermo colocou em campo o filho Ryudan, que já atuava nas categorias de base do Estudiantes. Faltando 15 minutos, pênalti marcado. O filho foi para a cobrança, mas o pai aproveitou a oportunidade para vestir luvas e defender a meta. Depois de catimbas de ambos os lados, Ryudan bateu com frieza e superou o ex-jogador da seleção argentina.
Palermo ainda ficou com uma das balizas do campo como presente. "Pensei em doar ao museu do clube, mas é grande demais", disse ao FIFA.com. "Com isso, e o monumento que vão colocar, seria demais. Puramente por conveniência, vou tentar colocá-la em um complexo esportivo que tenho em La Plata. Ou talvez possamos construir uma atração turística em torno do gol do Palermo."
Redenção e perdão
Houve quem tenha usado essa plataforma para uma chance de redenção e perdão, como Diego Maradona, que fez um discurso memorável para os torcedores no mesmo estádio do Boca Juniors. Foram muitas as lágrimas do ídolo argentino, que comentou alguns dos escândalos que se abateram sobre a sua carreira. "Cometi erros e paguei por eles", disse à multidão. "Mas não a bola, a bola manteve-se sempre limpa."
Houve quem tenha usado essa plataforma para uma chance de redenção e perdão, como Diego Maradona, que fez um discurso memorável para os torcedores no mesmo estádio do Boca Juniors. Foram muitas as lágrimas do ídolo argentino, que comentou alguns dos escândalos que se abateram sobre a sua carreira. "Cometi erros e paguei por eles", disse à multidão. "Mas não a bola, a bola manteve-se sempre limpa."
O Bayern de Munique demorou um pouco mais para pedir desculpas a Johan Cruyff. Três décadas depois de superar o Ajax por 8 a 0 em um jogo em homenagem ao holandês, o clube admitiu ter agido de forma pouco desportiva. Na época, o Bayern aproveitou a ocasião para se vingar de derrotas anteriores. Mesmo assim, Karl-Heinz Rummenigge, que marcou quatro gols no jogo, e Gerd Müller disseram que não estavam orgulhosos do papel desempenhado.
O que não se espera em um jogo de despedida é que aconteça algo pela primeira vez. A homenagem organizada pelo Arsenal a Dennis Bergkamp foi o primeiro jogo do novo Emirates Stadium. Já Tony Hibbert, que havia defendido o Everton durante toda a carreira, marcou o primeiro gol pelo clube de Liverpool justamente ao fazer a partida derradeira. Após o tento de falta contra o AEK de Atenas, os companheiros de Everton falaram em "conto de fadas", e o técnico David Moyes ficou radiante.
"Estava colocando o cara errado para bater faltas", brincou Moyes. "Foi um gol legítimo, não foi algo inventado. Não foi como se alguém tivesse tropeçado e um pênalti tivesse sido marcado."
A validade do gol foi um pouco mais duvidosa na homenagem a Alan Shearer pelo Newcastle. Na ocasião, ele iniciou a partida, saiu de campo e voltou para bater um pênalti e garantir a vitória por 3 a 2 contra o Celtic.
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