quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Boniek, nascido e batizado para brilhar

© AFP
Enquanto Zbigniew Boniek encantava a Europa com seus dribles acachapantes e cheios de ginga, entre 1982 e 1988, o hondurenho Óscar García acompanhava o craque admirado diante da televisão na sua casa em Tegucigalpa. O então jogador do Olimpia, um dos principais clubes do país centro-americano, chegou a batizar o filho em homenagem ao ídolo polonês. Passados 28 anos, Óscar Boniek García vem honrando a admiração paterna com a camisa de Honduras e do Houston Dynamo. 
No clube americano desde junho do ano passado, o jovem ala hondurenho se impôs pelo estilo ousado e incisivo no atual vice-campeão da Major League Soccer. Além disso, ajudou a levar o time à segunda final consecutiva marcando cinco gols e dando o passe para outros sete ao longo de 17 jogos — para orgulho do progenitor. "Meu pai, que também era futebolista profissional, quis homenagear um jogador que ele adora me batizando com esse nome", explicou Boniek García ao FIFA.com.
Rivaldo e Figo como inspiração
Aliás, o esporte bretão corre no sangue da família. "Meu tio era jogador e os meus três irmãos também são", diz o meio-campista da seleção hondurenha. "Todas as minhas memórias de infância estão ligadas ao futebol. Jogávamos na rua o tempo todo e me lembro que chegávamos a incomodar os vizinhos, porque chutávamos a bola nos muros das casas. Várias vezes levei bronca porque fazia barulho demais." 
O destino estava traçado, e a brincadeira rapidamente se transformou em paixãoA exemplo do pai, o garoto passava longas horas diante da TV acompanhando os seus astros favoritos. "Desde pequeno, sempre gostei de jogar nas laterais, porque podemos correr, fintar e ajudar no ataque", comenta Boniek García. "Adoro dar assistências e fazer com que os meus companheiros marquem gols." E, também como o pai, o meia sabe escolher os próprios ídolos. "Rivaldo, porque ele era espetacular, e Luís Figo, que jogava na minha posição", justifica. "Figo era um ala extraordinário, que sabia fazer tudo. Driblava, marcava e eliminava quem quisesse com suas fintas."
Um ano após chegar à base do Real Patepluma, Boniek García seguiu os passos do pai no Olimpia em 2004, marcando a história do time ao longo de sete temporadas. Logo na segunda, foi convocado para a seleção hondurenha e nunca mais deixou a equipe desde que participou do primeiro jogo, um amistoso com o Canadá disputado em julho de 2005. Apesar do talento e das façanhas com o uniforme nacional, porém, ele não conseguiu uma oportunidade no exterior. "O clube sempre quis aguardar uma grande proposta para me liberar, e ela acabou não vindo", reconhece ele. "Quando completei 28 anos, a diretoria considerou que era hora de me vender e fui procurado pelo Houston", acrescenta o jogador, para quem o futebol europeu "continua sendo um sonho". 
Impacto positivo
Em julho de 2008, no entanto, o centro-americano foi convidado a fazer um teste no Paris Saint-Germain. "Disputei duas partidas, contra Benfica e Guimarães", recorda. "Acho que tive belas atuações, mas o técnico estava procurando um jogador mais defensivo." Um ano mais tarde, ele esteve muito perto de assinar com o Wigan, da Inglaterra. No fim, acabou passando outras três temporadas em Tegucigalpa. "Os clubes buscam prioritariamente jogadores que tenham passaporte europeu", avalia Boniek García. "É uma pena, pois os poucos que foram fizeram um excelente trabalho, como 
David Suazo, Maynor Figueroa e Emilio Izaguirre, por exemplo. Isso pode ajudar os recrutadores a irem conferir o que acontece em Honduras."
Por outro lado, o meia tem consciência de que precisa ser mais eficaz nas finalizações. "Nunca fui de fazer muitos gols, nem mesmo no Olimpia", ressalta. "Sou acima de tudo um garçom, mas preciso mudar isso." Afinal, Honduras precisará da ajuda dele para reviver no Brasil as alegrias de uma Copa do Mundo da FIFA — sonho que dependerá de uma campanha praticamente impecável na sequência das eliminatórias. 
"A nossa participação no Mundial de 2010 marcou uma mudança na mentalidade", comenta o atleta. "A implicação foi enorme e nos demos conta de que a nossa equipe tinha potencial para se classificar após 30 anos de ausência. A seleção se consolidou e ganhou confiança. Hoje, o grupo tem esse objetivo em mente porque todo mundo ainda fala de 2010 e do impacto positivo que aquilo teve sobre o futebol hondurenho." 
Uma segunda participação consecutiva na festa máxima do esporte certamente confirmaria a tendência. Boniek García, por sua vez, se transformaria em herói no país — e, de quebra, talvez sirva de inspiração para os compatriotas quando eles precisarem escolher o nome dos filhos.

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