sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A reinvenção do Campeonato Espanhol

Gerardo Martino no Barcelona, Carlo Ancelotti no Real Madrid, Jagoba Arrasate na Real Sociedad, Miroslav Djukic no Valência, Bernd Schuster no Málaga... Cinco dos times que ocuparam as seis primeiras posições do Campeonato Espanhol na temporada passada trocaram de técnico, e a lista continua até incluir quase a metade dos clubes da primeira divisão.
Por diversos motivos, os times de ponta na Espanha tiveram de procurar um novo comandante para pilotar seus barcos na 83ª edição da competição. Mas a tendência se espalhou entre os mais modestos. Em um ano em que a crise econômica afetou duramente o mercado de contratações no país, estão em alta os bons chefs para reinventar o produto, com ingredientes mais discretos ou mais escassos, porque a cesta básica está com o preço nas nuvens.
Rivalidade renovadaA anunciada saída de José Mourinho e o inesperado adeus de Tito Vilanova propiciaram uma mudança de ares na disputa dos pesos-pesados. Agora, Ancelotti e Martino viram a página e diminuem o nervosismo. Sem outras tensões, o que continuará monopolizando as atenções será a rivalidade as equipes lideradas por Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.
A superioridade dos Blaugranes e dos Merengues, porém, é inquestionável. Aliás, a brecha entre ambos e os outros times da competição parece só aumentar. Se o Barça e o Real somaram entre si 25 dos últimos 29 títulos do campeonato nacional, tudo indica que, neste ano, o torneio voltará a ser um assunto para apenas dois clubes.
“Tata” Martino já ressaltou isso em sua apresentação. “Não ganhar um título seria um fracasso”, disse. Seu colega no Real Madrid, porém, foi mais discreto. “Nosso objetivo é jogar bem”, afirmou Ancelotti. “(Mas) o clube tem a necessidade de ir bem em todas as competições, principalmente no Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões. Tentaremos fazer isso da melhor maneira possível.” Por outro lado, o estrategista italiano não tem dúvidas de que este é o melhor elenco que jamais teve nas mãos. “Estou contente. Temos uma equipe jovem, boa e forte”, resumiu.
“Como se tivessem motivos para reclamar!”, pensará mais de um de seus colegas... “Ir com o bolso cheio de dinheiro é fácil, mas nós vamos com a imaginação”, explicava o novo treinador do Levante, Joaquín Caparrós, ao começar a pré-temporada.
Porque, embora as contratações tenham sido de certo modo discretas para o que costumavam ser, ao menos até agora, o Barcelona levou Neymar e o Real acertou com Isco e Illarramendi, enquanto seus concorrentes viram como seus craques faziam as malas. Ao invés de importar, o futebol espanhol agora exporta...
Jesús Navas e Álvaro Negredo, ex-Sevilha, já vivem em Manchester. Roberto Soldado, ex-Valência, já está rumo ao Tottenham, enquanto Fernando Llorente, ex-Athletic de Bilbao, já veste a camisa da Juventus. Além deles, Radamel Falcao se despediu do Atlético de Madri, embora o time de Diego Simeone compense sua falta com a chegada de dois artilheiros: o conhecido David Villa e o emergente Léo Baptistão.
Outro campeonatoA Real Sociedad, uma das revelações da última temporada, fez uma aposta arriscada. Enfrentará o desafio de regressar às competições continentais com o elenco menos alterado da primeira divisão espanhola. Chegaram o suíço Haris Seferovic, o espanhol Esteban Granero e o técnico Arrasate. As despedidas de Illarramendi e Joseba Llorente, porém, foram mais sentidas.
Espanyol e Sevilha trocaram de técnico na metade do campeonato passado para recolocar suas equipes nos trilhos. Foi uma aposta bem-sucedida. Javier Aguirre não só salvou o clube barcelonês do rebaixamento quase certo como chegou a estar perto de uma vaga na Liga Europa.
Unai Emery também conseguiu um bom rendimento dos sevilhanos, mas nesta temporada começará do zero, com um elenco praticamente irreconhecível – 13 jogadores deixaram o clube. Ainda assim, o técnico se mostra ambicioso. “Estamos falando de um Sevilha que esteja nos torneios continentais, de que este clube nunca deixe de estar em uma competição dessas. Espero um time que empolgue: intenso e agressivo a partir da defesa, com vontade de recuperar a posse de bola. No ataque, com personalidade, mostrando intensidade e indo atrás do adversário”, disse.
Já o tradicional Athletic de Bilbao vive sua particular mudança de ciclo: novo técnico (Ernesto Valverde, substituto de Marcelo Bielsa) e novo estádio, depois de o mítico San Mamés ser fechado e começar a ser demolido. Os Leões terão de provar que continuam sendo ferozes após perder seu templo.
Villarreal, Almeria e Elche são as novas caras de uma primeira divisão espanhola que, como na temporada passada, prognostica uma luta mais acirrada pela permanência do que pelos troféus.
A delicada situação financeira dos clubes espanhóis e a subida da cotação dos atletas nacionais estabeleceram este novo cenário para aquela que já foi conhecida como a “Liga das Estrelas”. Mas o Campeonato Espanhol pós-Mourinho ainda pode se gabar de contar com dois dos melhores jogadores do mundo: Lionel Messi e Cristiano Ronaldo... Que comece o espetáculo!

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