Casemiro e Neymar, rivais em outro nível
É fácil imaginar a cena. O ônibus cheio de jogadores, aquela algazarra na chegada a uma nova cidade, e o técnico sinceramente sem ter muito o que fazer. Afinal estes “jogadores” têm apenas 11 anos, estão dando os primeiros passos nos gramados, numa idade em que, por mais que já possam ter sonhos de gols, títulos e glórias, as coisas também não deixam de ser uma brincadeira.
Foram nesses tempos precoces que começou uma rivalidade que, hoje, até de forma inacreditável, entra como mais um ingrediente para o duelo Real Madrid x Barcelona: comCasemiro de um lado e Neymar do outro. Sim, as duas revelações brasileiras estão acostumadas a se enfrentar desde a mais tenra idade – as categorias não se chamam dente-de-leite ou pré-mirim por qualquer coisa. Agora, quis o destino futebolístico que seus caminhos voltassem a se cruzar no maior clássico da Espanha – quiçá do mundo.
“É, pode ter certeza de que estamos vivendo um sonho. Eu pelo menos estou vivendo o meu. Mas estou certo de que ele também. Até brinquei disso com ele. Nós jogamos contra a vida toda”, afirma Casemiro, 21, nova aposta do Real, ao FIFA.com, dez anos depois dos primeiros embates com Neymar.
"Tamo junto"Um rival apenas no jogo, diga-se, já que, de tanto se enfrentarem, Neymar se tornou também um amigo para o ex-são-paulino. “É legal... Um jogador que você sempre enfrentou, e ter uma amizade tão saudável fora de campo. Vale frisar isso: independentemente da rivalidade que tivermos, ele é um grande amigo meu.”
A primeira vez em que se encontraram foi em São José dos Campos, entre São Paulo e Rio de Janeiro. A cidade natal de Casemiro, que, em 2003, jogava pelo Moreira – uma tradicional equipe da região nas categorias de base, com uma escolinha que já revelou bons profissionais, como Ricardo Goulart, que vem fazendo seu nome pelo Cruzeiro no Campeonato Brasileiro deste ano. “Era bem legal. Só uma garotada de São José mesmo, mas formando um time bom, o melhor da cidade. Poder enfrentar um Santos naquela época já era para ficar bem feliz."
Neymar havia acabado de chegar ao clube que lançou Pelé ao mundo, após infernizar a vida da molecada em torneios de futsal no litoral paulista. Com 12 anos, Casemiro foi para o São Paulo, numa história que o FIFA.com já contou, de modo que seus confrontos foram se tornando cada vez mais frequentes.
Destaques entre a fornada dos atletas nascidos em 1992, passaram a jogar juntos nas Seleções menores, tendo participado da Copa do Mundo Sub-17 da FIFA Nigéria 2009. Em 2011, foram campeões sul-americanos sub-20 – o volante depois ainda conquistaria a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA na Colômbia, mas desta o atacante não participou. Em 2012, já estavam juntos na Seleção principal.
Outra categoria
Agora esta rivalidade – e amizade – ganha um palco enorme como as partidas entre Real e Barça. Se Neymar, por um lado, chega ao futebol espanhol sob todos os holofotes, Casemiroentra em sua segunda temporada no país brigando por espaço, mas sem se intimidar.
Agora esta rivalidade – e amizade – ganha um palco enorme como as partidas entre Real e Barça. Se Neymar, por um lado, chega ao futebol espanhol sob todos os holofotes, Casemiroentra em sua segunda temporada no país brigando por espaço, mas sem se intimidar.
“Claro que é um sonho jogar no Real Madrid, mas graças a Deus, com essa experiência que já tive de jogar no São Paulo e na Seleção, acho que não me afetou muito. Não tive muitas surpresas. É uma situação diferente: dá aquele friozinho na barriga, mas isso é para qualquer partida que você faz. Se não tiver isso, aquele medinho, receio, tem de parar. É coisa normal, que sempre se tem na vida”, afirma o volante, que primeiro passou por um período de teste pelo Castilla, o time B dos merengues. Foi aprovado com louvor e contratado em definitivo neste ano.
A temporada inicial na Segunda Divisão espanhola foi proveitosa para o talentoso meio-campista – de ótimo passe, finalização e eficiente no jogo aéreo – se adaptar a um novo estilo de jogo, mais rápido. Atuou ao lado de algumas promessas espanholas como Jesé, Morata e Nacho e também pôde assimilar muito do que se espera do Real em termos táticos, para que os garotos estivessem preparados se surgisse uma oportunidade. Para o brasileiro, a primeira veio contra o Real Betis, em abril, sua estreia pela equipe, ainda com José Mourinho. Hoje, participa em tempo integral das atividades com Carlo Ancelotti, fazendo até gols na pré-temporada.
“Desde o primeiro dia em que cheguei ao Castilla, tentei aproveitar da melhor maneira possível. Futebol é momento, e estou vivendo um muito bom. Mas tenho sempre de manter a calma, o pé no chão, trabalhando. A cabeça fica tranquila, o trabalho segue em frente, para as coisas virem naturalmente, no dia-a-dia."
Se Casemiro passa a impressão de que não se abala num elenco estrelado, é de se considerar que o ainda jovem jogador sempre foi visto como um craque em potencial na base, se habituando a estar entre os melhores, como Neymar, a cada promoção de categoria. Só não se pode confundir com empáfia. Até porque as coisas não são tão tranquilas, como se pode ler por suas declarações.
“Também não é assim, né?”, afirma, brecando o entrevistador. “Há muitos jogadores de muita qualidade aqui, que dispensam comentário. Por isso tenho de fazer o melhor possível, para aproveitar quando tiver minha oportunidade. Seja um minuto, 45 ou 90: tenho de tentar fazer o melhor.”
E é importante ficar preparado, mesmo. O Real apenas inicia uma nova jornada, mas daqui a pouco o calendário vai apontar um Barcelona pela frente. Aí é hora de arrumar o meião, calçar a chuteira, dessa vez sem espaço para algazarra. Será a hora de Casemiro levar adiante sua amizade – e rivalidade – com Neymar.
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