terça-feira, 6 de agosto de 2013

Squillaci: despedida ao seu modo

"Estava com vontade de ter tempo de jogo e de me divertir dentro de campo. É do que gostaria", explica com tranquilidade Sébastien Squillaci em entrevista ao FIFA.com. Ao terminar seu contrato com o Arsenal, o zagueiro francês assinou com o Bastia por uma temporada, com opção a outra, e espera acabar dignamente uma carreira cheia de méritos na Córsega.
"Jogar em estádios cheios, com um ambiente magnífico, principalmente no Emirates, foi uma experiência sensacional e me deixou boas lembranças, embora no fim tenha sido um pouco difícil esportivamente...", conta o jogador, que havia começado bem sua aventura londrina. Na temporada 2010-11, fez 22 jogos no Campeonato Inglês e outros seis da Liga dos Campeões daUEFA, antes de viver dois anos esquentando o banco de reservas dos Gunners.
Agora, depois desse interminável período de frustração, "Toto", como é carinhosamente chamado, continua tendo fome de bola, ainda que não precise reivindicar seu espaço. "Tenho 33 anos e estou mais próximo do final de minha carreira do que no princípio. Fico feliz por tudo que conquistei e quero terminar bem por mim, não pelos outros. Simplesmente não tinha vontade de pendurar as chuteiras depois de uma temporada sem jogar", explica.
Lembranças à parte, ele também fica com todas as belas páginas que escreveu durante suatrajetória. "Tive bons momentos em todos os clubes pelos quais passei, embora, é claro, os troféus sejam algo especial: fui campeão da segunda divisão francesa com o Ajaccio, ganhei uma Copa da Liga e joguei uma final da Liga dos Campeões pelo Mônaco. No Lyon, ganhei dois campeonatos nacionais e uma Copa da França. No Sevilha, a Copa do Rei, e no Arsenal, apesar de não ganhar nada, tive a oportunidade de dividir o vestiário com grandes jogadores. Eu me diverti muito em todas essas experiências", resume.
Opção de vidaCom um histórico assim, que lhe fez vestir a camisa da seleção francesa em 21 ocasiões, talvez pareça estranho jogar agora em uma das equipes de menor orçamento da primeira divisão de seu país natal. Principalmente porque um currículo como o dele costuma oferecer possibilidades de ter uma semiaposentadoria de ouro em destinos mais exóticos. "Esse não era meu objetivo", diz o jogador, taxativo. "O lado econômico não foi uma motivação para assinar contrato com o Bastia. Queria ir a um lugar no qual eu me divertisse, no qual sei que há um bom elenco, e onde já conheço vários jogadores. Aqui existem todas as circunstâncias para que eu acabe bem esses dois anos. É uma opção de carreira, e respeito totalmente aqueles que tomaram outros caminhos."
Essa opção de carreira representa também uma escolha de vida, um regresso às origens para um homem que leva a Córsega no coração e no sangue. "Para mim, era muito importante ir para um lugar onde minha família estivesse bem, no qual eu pudesse estar próximo de minha gente", afirma o jogador, que começou no futebol de elite no arquirrival de seu atual clube, o Ajaccio, no qual esteve entre 2000 e 2002. O reencontro com sua ilha lhe permitirá também voltar a uma competição que é sua velha conhecida. "Jogar contra meus antigos clubes vai ser uma coisa especial, porque nunca deixei de acompanhá-los. Voltar a Mônaco, a Lyon... As coisas foram bem em todos os lugares em que joguei, e adorarei me encontrar de novo com as pessoas."
Na defesa, também o aguardam vários desafios interessantes, como frear adversários do pesode Edinson Cavani, Radamel Falcao o Zlatan Ibrahimovic, quem Squillaci já enfrentou quando jogava na Espanha. "Sempre é agradável jogar contra atletas tão bons. É quase o melhor que tem, algo positivo tanto para mim quanto para o Campeonato Francês como um todo", observa.
Com um elenco em grande parte reformulado e privado de muitos dos responsáveis pela volta à elite francesa e pelo excelente 12º lugar no ano passado, o Bastia pôs como meta a permanência na primeira divisão. É um desafio que Squillaci encara, apesar de tudo, com um sorriso. "Não sou daqueles que lamentam nada, nem no futebol nem na vida em geral. Estou contente com o que fiz e espero ter ainda outros dois bons anos. Passei por momentos difíceis, como todo mundo, mas são esses os momentos de aprender sobre si mesmo. Isso o torna mais forte para o resto da vida, e também para depois do futebol."

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