quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Mauritânia ansiosa por 1º grande desafio

Mauritânia ansiosa por 1º grande desafio
Em fevereiro deste ano, durante a visita à Mauritânia do presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, o presidente da federação do país, Ahmed Ould Yahya, afirmou que a nação pretendia construir uma base sólida. "O nosso centro de formação nos proporcionará a produção de grandes jogadores no futuro", disse naquele momento. "A nossa meta é que a Mauritânia fique entre os cem primeiros do Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola e se classifique para um grande torneio, como a Copa Africana de Nações."
Seis meses depois, Yahya já começou a testemunhar a realização do seu plano. Ao superar o Senegal na fase de eliminatórias, a Mauritânia obteve uma sensacional classificação para o Campeonato Africano de Nações de 2014, na África do Sul. O torneio só é disputado por jogadores que atuam nas respectivas ligas nacionais e, por isso, não tem o mesmo prestígio da Copa Africana de Nações. Mesmo assim, a primeira classificação do país na história para uma competição continental foi muito comemorada. 
A segunda meta de Yahya (a de levar ao país aos 100 primeiros do mundo) também parece a caminho. A equipe subiu 21 posições no ranking de agosto e agora é a 40ª da África e a 151ª do planeta. Por outro lado, ainda há um longo caminho até o país recuperar a sua melhor posição na história, o 85º lugar obtido em dezembro de 1995. 
O futebol mauritano foi muito ajudado por duas iniciativas da FIFA: os programas Performance e Goal. Quando foi à capital Nouakchott, no começo do ano, o presidente Blatter inaugurou a nova sede da federação e o seu centro técnico, além de dois gramados artificiais, entre eles o do Estádio Olímpico - todos eles projetos financiados pelo programa Goal. O novo programa Performance, pelo qual a FIFA proporciona ajuda especializada em uma ampla gama de aspectos, como administração, gestão, finanças, comunicação, marketing e tecnologia da informação, também causou impacto positivo e imediato sobre o futebol do país do oeste da África. 
O foco principal da Mauritânia é o da comunicação, em particular a produção audiovisual. "Agora temos uma unidade de produção de TV, uma das primeiras do tipo na África", explicou Yahya durante a visita do presidente Blatter. "Assinamos contrato com uma emissora nacional de televisão e transmitimos jogos toda semana. Isso aumentou a visibilidade do futebol e está realmente transformando a imagem do jogo no país." 
Apoio influente Não é apenas o órgão que administra o futebol do país que concentra esforços para desenvolver o esporte na Mauritânia. O presidente da nação, Mohamed Ould Abdel Aziz, é um importante apoiador do futebol, assumindo um papel ativo para garantir que a seleção nacional se torne mais forte. 
Cerca de dois meses após assumir o comando da seleção, em fevereiro de 2012, o técnico Patrice Neveu teve uma reunião com o mandatário da nação. Após a vitória contra o Senegal, o francês contou aos jornalistas que o presidente lhe havia perguntado se haveria potencial para construir algo mais, mesmo sabendo das dificuldades para conquistar vitórias. "Ele também me perguntou se eu seria capaz de fazer renascer o futebol na Mauritânia", destacou.
O experiente técnico, que já treinou Guiné, Níger e a República Democrática do Congo, conseguiu cumprir a tarefa, primeiro eliminando a Libéria na fase preliminar, antes de vencer o Senegal na etapa seguinte. Depois da derrota em Dacar por 1 a 0, o jogo de volta no Estádio Olímpico teve lotação esgotada, inclusive com Aziz e vários membros do seu gabinete nas arquibancadas. 
Moulaye Ahmed abriu o placar já nos descontos do primeiro tempo, igualando a série, antes de o meio-campista Taghyoullah Denne fazer o tão comemorado gol da classificação, aos 15 da etapa complementar. "Acho que posso dizer, modestamente, que a nossa missão está cumprida", declarou Neveu. 
Ironicamente, os sucessos da seleção nacional também têm um lado ruim: vários jogadores envolvidos nas eliminatórias para o Campeonato Africano de Nações já receberam sondagens de clubes estrangeiros, o que impediria a sua inscrição para o torneio, que ocorrerá na África do Sul no ano que vem. Neveu tenta conter esse movimento. "Estou explicando a situação a eles, pedindo para que não se precipitem", declarou o técnico, que também considera que a parte mais difícil da meta de desenvolvimento do futebol do país ainda está por vir. 
Depois da histórica vitória sobre Senegal, Aziz encontrou-se com os jogadores, comissão técnica e dirigentes da federação. Ele garantiu que dará ao selecionado todos os recursos necessários para manter a bandeira da Mauritânia tremulando viva. Anteriormente, em uma reunião apenas com os dirigentes, ele já havia prometido auxílio para melhorar a colocação da seleção no ranking. Com um apoio como esse, é bem provável que a Mauritânia não demore muito a atingir a meta de voltar às cem melhores do mundo.

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