Juan, alegria em ser sério
Mesmo numa situação extrema - como quando marcou, nos acréscimos do segundo tempo, o gol da vitória do Internacional por 1 a 0 sobre o Flamengo, seu ex-time, ao qual ele diz dever “tudo” em sua vida, pelo primeiro turno do Brasileirão. Naquele 21 de julho, o defensor tinha tudo para explodir na comemoração. Em vez disso, congelou. Teve a frieza para processar o que estava acontecendo, contendo as emoções em respeito ao time que o revelou. Simplesmente bateu no peito, em direção aos flamenguistas presentes em Caxias do Sul.
"Sabia que podia acontecer, mas, por mais que se prepare, na hora do jogo é diferente. Você não imagina que vá fazer um gol. Afinal, sou zagueiro. Mas, na hora que faz, essa história toda volta e fica para o último momento. Foi uma coisa diferente e, na hora de me expressar, foi daquele jeito: sem publicidade, como sempre na minha carreira", disse ao FIFA.com.
Mas isso não quer dizer também que seja impossível para Juan desfrutar de alegrias no futebol. Principalmente disputando o título do Campeonato Brasileiro, firme na zaga do Internacional, depois de dez anos no exterior e de duas Copas do Mundo da FIFA como titular. “O ambiente, a questão da língua, visitar lugares que você conhece muito mais que na Europa... Viver tudo isso de novo é muito divertido”, afirma ele. “Nada como estar de volta ao seu país.”
Plácido zagueiro
Juan deixou o Brasil em 2002, quando tinha 23 anos, saindo do próprio Flamengo rumo aoBayer Leverkusen. Ficou no clube alemão por cinco temporadas para, depois, fazer mais cinco pela Roma. No exterior, o carioca encontrou um cenário em que a sua postura plácida se encaixou sem problema. “Lá fora é bem diferente. Na Alemanha a seriedade é maior. Na Itália, tinha um pouquinho do que temos, mas aqui é bem mais tranquilo. Isso faz a diferença, treinando e jogando."
Por mais que se sinta em casa, em termos de atmosfera, em campo o retorno apresenta uma série de desafios. Num país em que a vocação no futebol é extremamente ofensiva, corre-se o risco de relevar os detalhes que rondam a posição de zagueiro, ainda mais fazendo a transição Europa-Brasil.
"Jogava num espaço de campo mais curto do que no Brasil, e o jogo fica mais físico por isso. Aqui há uma distância muito grande entre defesa e o ataque”, constata. “Para o zagueiro, então, fica-se muito mais no um contra um do que na Europa. E o jogo é mais voltado para o drible, jogadas individuais, de velocidade, enquanto lá é mais na força e mais tático.”
Neste ponto, para diminuir o choque, ao menos Juan teve os diversos jogos pela Seleção na última década. “Foi uma das coisas mais positivas pra mim, mesmo estando fora por muito tempo. Tive contato com esse estilo”, diz. "Agora já estou adaptado, mas é algo bem difícil. É o meu primeiro Campeonato Brasileiro completo e ainda há coisas que você vai pegando nos jogos. Mas nada que vá me impedir de fazer meu papel.”
Talento exemplar
Além da bagagem tática, Juan também oferece para o Inter, num reencontro com o técnicoDunga, a mesma técnica que o diferenciava desde as categorias de base. Não só pela eficiência nos desarmes e jogo aéreo, mas com um passe preciso que ajuda a organizar o jogo desde o setor defensivo. “Foi sempre uma característica minha, desde mais jovem, mas evoluí muito na Europa. Lá, seu pensamento fica mais rápido e, hoje em dia, ataca-se e se defende com quase todo mundo. O zagueiro começa a jogada, quando não está defendendo. O passe com qualidade é de grande ajuda para o seu time."
Outro fator a seu favor é a experiência e a cancha de ter jogado as Copas de 2006 e 2010 e ganhado dois títulos tanto da Copa América como da Copa das Confederações da FIFA. Um currículo que inspira confiança e o coloca como exemplo a ser seguido, sendo a imagem que quer deixar nesta reta final de carreira. “É trabalhar o dia a dia por meus companheiros, querer ajudar. Isso é o mais importante, o que fica guardado: a postura do jogador. Depois, trata-se decontinuar jogando num nível alto e fazer o máximo possível para conseguir vitórias e conquistas.”
Neste ano, o Inter já ganhou o Campeonato Gaúcho. Agora, o desafio é a conquista do Brasileirão, troféu que o time não leva desde 1979. “Começamos bem, na parte de cima, como planejávamos. Mas todos sabem que este campeonato é muito difícil, um dos mais fortes que se tem. Esperamos nos manter bem colocados, perto ou dentro do G-4, para poder dar um sprint”, afirma Juan. E ninguém melhor que ele para expressar isso. Afinal, brigar por título é coisa séria.
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