Casemiro: 'Quem joga no Real pode jogar em qualquer seleção do mundo'
Luca Modric, Sami Khedira, Xabi Alonso, Asier Illarramendi e Casemiro. Cinco jogadores para duas vagas no meio-campo do Real Madrid. Casemiro parecia ser o intruso e o último da lista, mas após com pré-temporada como protagonista, com dois gols e uma assistência, o ex-são-paulino está cada vez mais perto de ser titular no time de Carlo Ancelotti. Elogiado pelo ex-treinador José Mourinho e em alta no clube merengue, o brasileiro ainda não teve sua oportunidade na Seleção. Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM em Valdebebas (o centro de treinamento do Real), o volante demonstrou esperança em ganhar uma chance com Luiz Felipe Scolari.
- Para jogar a Copa do Mundo você tem de jogar no seu clube. Claro que quem joga com frequência no Real Madrid pode jogar em qualquer seleção do mundo. Eu diria que o primeiro pensamento é me firmar no Real - disse o novo camisa 26 dos merengues.
De reserva no São Paulo ao sucesso no Castilla (time B do clube espanhol) e a briga pela vaga de titular no Real em menos de um ano, Casemiro explica a rápida adaptação à presença da noiva na Espanha, ao carinho dos funcionários do clube e à boa recepção das estrelas da equipe. Sobretudo, Cristiano Ronaldo.
- A relação com o Cristiano é muito boa. Nossa proximidade acabou sendo natural, porque o Cristiano gosta muito do Brasil e dos brasileiros. É um cara muito legal, que sempre me ajuda, um grande amigo mesmo. É um exemplo para todo o mundo, sempre chega cedo aos treinos e se dedica muito ao clube - analisou.
Confira a entrevista completa:
GLOBOESPORTE.COM: Ser considerado a revelação da pré-temporada do Real Madrid, que esse ano investiu em tantos jovens, é uma vitória para você?
CASEMIRO: Sim, é um passo muito importante. Desde o primeiro momento que cheguei ao Castilla me senti muito feliz e motivado e quis fazer bem o meu trabalho. Agora estou no time principal e estou muito feliz por isso, quero continuar trabalhando para me firmar aqui no Real.
Você saiu de um time como o São Paulo como promessa para ser mais um entre os garotos do Castilla. Foi preciso ter muita humildade para dar esse passo?
Não foi fácil de jeito nenhum. Ainda mais você jogando num time como o São Paulo que é muito grande no Brasil. Já tinha jogado na Seleção principal também. Não foi fácil, mas foi perfeito e deu tudo certo. Cheguei aqui com humildade, trabalhei duro para tentar fazer o melhor possível e gostaram do meu trabalho. Graças a Deus deu tudo certo, agora estou desfrutando no primeiro time e quero ajudar o Real.
Você saiu do São Paulo como reserva, agora está brigando pela titularidade no Real. Quais foram as pessoas fundamentais para essa mudança radical?
Acho que a ajuda que recebi de todos no clube foi fundamental. Desde que cheguei ao Real, fui muito bem tratado pelos funcionários do clube e pelos companheiros, tanto do Castilla quanto do time principal. Minha noiva Anna Mariana Ortega, que veio morar comigo, também me ajudou muito. Conheci outras pessoas aqui em Madri que também colaboraram. A adaptação foi muito rápida mesmo. Em campo, fui me acostumando aos poucos com o estilo de jogo mais rápido aqui da Espanha, com toques rápidos. Hoje, já me sinto bem adaptado. No dia a dia, vou me adaptando cada vez mais.
Que diferenças você vê entre o futebol espanhol o brasileiro?
Aqui o futebol é mais rápido, você tem de pensar mais rápido, tem de estar muito mais ágil. Essa é a grande diferença. Teoricamente os jogadores aqui ficam mais fortes, por que os adversários jogam mais duro. O resto é idêntico.
E como foi disputar a segunda divisão espanhola? Você passou por algum problema ou é ainda melhor do que no Brasil?
Eu me lembro só de um estádio que tinha um gramado ruim, mas a maioria tem uma estrutura excelente, com campos de alto nível. O Brasil ainda deve um pouco nesse ponto, parece que falta um pouco mais de cuidado com os campos, mas vejo que muitos clubes já estão evoluindo nesse sentido.
Quando você chegou no Castilla em janeiro, a imprensa espanhola escreveu que você estava com alguns quilos a mais. Agora, todos contemplam sua forma física atual. Você passou por um programa de treino e alimentação específico?
Não teve uma dieta específica, me estabeleceram um peso e não teve uma dieta louca. Cada jogador tem o seu peso, sua caraterística, definiram o meu e ao fim de 20 dias estava perfeito, do jeito que eles queriam e com certeza isso me ajudou para me adaptar mais rapidamente ao futebol daqui e ao clube.
Aqui no Real Madri exigem muito dos jogadores fora do clube, controlam sua vida? São rigorosos nesse aspeto?
Não, nada. Pelo contrário, aqui é até mais tranquilo do que no Brasil. Cada eu tem de saber o que faz fora de campo. Você não se concentra como no Brasil. Antes do jogos fica mais com sua família, é muito mais tranquilo do que no Brasil. No futebol europeu, os clubes entregam na mão do jogador, você tem de ser profissional e saber o que você quer para a sua vida. No Real Madrid eles são bem tranquilos.
Esse ano, o Real Madrid mudou a sua estratégia e apostou em vários jovens espanhóis. No Castilla você também conviveu com muitos jovens promissores. Que nomes devemos ter em consideração nos próximos anos?
É difícil apontar nomes, porque eu posso acabar me esquecendo de alguém. Não quero me comprometer (risos). O que eu posso dizer é que há diversos jogadores de muita qualidade. O Real Madrid trabalha muito bem suas categorias de base.
Não é segredo para ninguém que Mourinho sempre gostou de você. Foi ele que ajudou você a ser contratado em definitivo pelo Real?
Ele sempre me elogiou, me deu a primeira oportunidade no time principal do Real Madrid, mas são muitas pessoas envolvidas em uma contratação. Tem o técnico do Castilla, os diretores da base, os próprios dirigentes do clube... Sempre ouvi elogios deles também. Acho que o que fiz no período em que fiquei no Castilla agradou a todos.
Como foi transição do Mourinho para o Ancelotti?
Olha, eu não acompanhei muito o Mourinho, então não posso dizer para você como é o Mourinho. Tive o prazer de jogar um jogo com ele e de ser convocado para outros jogos, mas não tive uma convivência diária com ele. Sobre o Ancelotti posso dizer que é um cara bacana, sabe lidar com o jogador e está sendo uma experiência muito boa trabalhar com ele.
Ancelotti é um especialista em construir talentos na sua posição. Foi ele quem adaptou a posição do Pirlo, no Milan, e na temporada passada apostou no Verratti no Paris Saint-Germain. Como vocês trabalham a sua posição no campo?
É um cara que é especialista na parte do meio-campo e eu tento perguntar o que ele quer ou não quer que você faça em campo. Tento me adaptar ao treinador e ao futebol espanhol. O Ancelotti é uma pessoa 10, nota mil.
Como é sua relação com o astro do clube, o Cristiano Ronaldo? Ele também é muito amigo de outros brasileiros, do Marcelo e do Kaká. Como é o Cristiano como companheiro?
A relação com o Cristiano é muito boa. Nossa proximidade acabou sendo natural, porque o Cristiano gosta muito do Brasil e dos brasileiros. É um cara muito legal, que sempre me ajuda, um grande amigo mesmo. É um exemplo para todo o mundo, sempre chega cedo aos treinos e se dedica muito ao clube.
Apesar de seu crescimento dentro do Real, você ainda parece distante da seleção brasileira, onde atuam outros jogadores de sua geração como o Lucas, o Oscar e o Neymar. Qual é seu objetivo com a Seleção?
Eu tenho o sonho de regressar à Seleção, mas tenho de procurar dar um passo de cada vez. O primeiro passo é me firmar no Real Madrid, ter uma sequência de jogos, buscar a titularidade e logo em seguida pensar na Seleção. Tenho de cumprir essas etapas.
Felipão entrou em contato com você? Ele te daria uma chance para disputar a Copa do Mundo, mesmo sendo reserva no Real Madrid?
Para jogar a Copa do Mundo você tem de jogar no seu clube. Claro que quem joga com frequência no Real Madrid pode jogar em qualquer seleção do mundo. Eu diria que o primeiro pensamento é me afirmar no clube.
Sabe se ele está acompanhando seu trabalho no Real?
Cheguei a ver uma entrevista do Parreira onde ele dizia que estava me acompanhando mas não houve ainda uma ligação específica entre mim e a Seleção. Acho que isso é mais íntimo. Vi uma entrevista dele falando bem. Tenho certeza que o Parreira e o Felipão estão acompanhando todos os jogadores pelo mundo.
Você tem acompanhado o São Paulo?
É um pouco complicado você seguir o São Paulo, mas sei que não está numa situação boa. Tenho certeza que o São Paulo vai sair dessa, porque é um grande clube, tem grandes jogadores. Mas está complicado. Desejo toda a sorte do mundo. Quase todos os jogadores do time são muito meus amigos, então desejo muita sorte para eles, porque são grandes jogadores e vão sair dessa situação.
Ney Franco, seu ex técnico, criticou o poder de Rogério Ceni no vestiário e disse inclusive que ele prejudicou alguns jovens do time. Você se sentiu prejudicado com a influência do Ceni?
Eu não. Cada um tem um ponto de vista. No meu ponto de vista não teve problema algum. Se o Ney Franco ou o Rogério acham isso, eles que resolvam. Eu sempre tentei fazer o meu melhor no São Paulo e tentei ajudar todos.
O primeiro clássico Barcelona x Real Madrid já tem data marcada. No dia 27 de outubro você vai enfrentar o Neymar. O que podemos esperar desse duelo entre vocês?
Já brinquei com o Neymar uma vez que ele sempre joga contra mim. Eu enfrento o Neymar desde os 10 anos de idade! (risos). Quando eu jogava no Moreira, um time de São José dos Campos, eu já o enfrentava contra o Santos. Depois, no São Paulo, também. E, agora, aqui na Espanha. O Neymar é um cara que dispensa comentários, é um grande jogador, e tem tudo para brilhar na Europa. Mas está muito cedo ainda para falar desse jogo. Vamos pensar jogo após jogo.
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