Brattbakk, de artilheiro a piloto
Pergunte a qualquer menino o que ele sonha ser quando crescer e as chances que a resposta gire em torno do futebol sejam grandes. Piloto de avião também não costuma ficar muito atrás. Para Harald Brattbakk, porém, viver um único sonho não foi suficiente. Depois de se dedicar a uma carreira nos gramados que lhe rendeu as honras de defender a seleção da Noruega, de disputar a UEFA Champions League com o Rosenborg e de conquistar títulos pelo Celtic, o ex-atacante de 42 anos agora sobrevoa a Europa com a maior companhia aérea do seu país.
É uma combinação de profissões de deixar muita gente com inveja, e o homem cuja marca registrada nos tempos de jogador eram a velocidade e o oportunismo na grande área admite que se considera extremamente afortunado. No entanto, Brattbakk revela que não sonhava com nenhuma delas quando era garoto. "Na época da escola eu queria ser advogado", contou aoFIFA.com. "Sempre adorei futebol, mas nunca acreditei que pudesse transformá-lo em profissão. O meu único objetivo naquela altura era jogar pelo time da minha cidade, que disputava a quarta ou quinta divisão do futebol norueguês. E eu também não pensava em pilotar aviões. Era a advocacia que me enchia os olhos. Na verdade tentei estudar direito na universidade quando voltei para a Noruega depois de jogar no Celtic, mas veio o segundo filho e fiquei sem tempo livre."
Descartada a vida jurídica, Brattbakk se encontrou diante de uma encruzilhada. De um lado estava a tradicional decisão de seguir no esporte como técnico ou dirigente. Do outro, uma direção profissional inusitada para quem joga futebol. No fim, prevaleceu o caminho mais incerto. "Tirei o brevê de piloto particular quando estava no fim da minha carreira esportiva, embora na época eu só tivesse interesse em aviação como hobby, mais que qualquer outra coisa", recorda ele. "Com o tempo, porém, e quando chegou a hora de analisar o que eu faria depois de pendurar as chuteiras, pensei nisso mais a sério. Tudo aconteceu muito rápido dali em diante, e tenho feito isso praticamente sem parar desde que me aposentei há sete anos. Pensei em ficar no esporte, mas na época eu estava meio cansado do futebol e queria fazer outra coisa na vida."
Contudo, a transição dos gramados para os ares não foi fácil. "Ser piloto é muito mais difícil que ser jogador de futebol", aponta Brattbakk. "Fisicamente, você trabalha mais forte como atleta, mas os dias são bem curtos. Como piloto passo mais tempo longe de casa do que jamais passei. No momento estou encerrando uma jornada de trabalho de cinco dias e tenho ficado acordado até as 4 da manhã todos os dias, o que é uma grande diferença em relação ao que estava acostumado."
Em compensação, viver nas alturas tem seus encantos. "Poder ver o nascer do sol, acordar acima das nuvens, sempre é algo especial", diz o norueguês. "Além disso, posso voar para qualquer lugar da Europa mas moro em Trondheim, e quando volto à cidade sobrevoo o estádio em que joguei peloRosenborg, o que é sempre bacana. Realmente, não tenho do que reclamar."
Boas lembranças
Entre o futebol e a aviação, no entanto, só há espaço para um verdadeiro amor no coração de Brattbakk. Embora a rotina dos jogos após mais de duas décadas de vida esportiva possa ter esfriado temporariamente a paixão, a distância só fez fortalecê-la. "No fundo você nunca perde o amor pelo futebol, e ele voltou muito forte em mim durante o tempo em que estive longe", reconhece ele. "No momento, preciso admitir que sinto uma saudade enorme. Tenho três filhos e o mais velho, principalmente, que tem 13 anos, é louco por futebol. Ele quer ir a todas as partidas possíveis, e levei os três a Glasgow no ano passado para vermos o Celtic ganhar do Barcelona pela Liga dos Campeões. Eles adoraram, claro. O clima no estádio estava incrível, e dias como aquele fazem com que eu sinta falta da tensão e das emoções do futebol. Espero poder voltar ao esporte em algum momento, seja só como técnico dos meus filhos ou como treinador num nível um pouco mais elevado."
Entre o futebol e a aviação, no entanto, só há espaço para um verdadeiro amor no coração de Brattbakk. Embora a rotina dos jogos após mais de duas décadas de vida esportiva possa ter esfriado temporariamente a paixão, a distância só fez fortalecê-la. "No fundo você nunca perde o amor pelo futebol, e ele voltou muito forte em mim durante o tempo em que estive longe", reconhece ele. "No momento, preciso admitir que sinto uma saudade enorme. Tenho três filhos e o mais velho, principalmente, que tem 13 anos, é louco por futebol. Ele quer ir a todas as partidas possíveis, e levei os três a Glasgow no ano passado para vermos o Celtic ganhar do Barcelona pela Liga dos Campeões. Eles adoraram, claro. O clima no estádio estava incrível, e dias como aquele fazem com que eu sinta falta da tensão e das emoções do futebol. Espero poder voltar ao esporte em algum momento, seja só como técnico dos meus filhos ou como treinador num nível um pouco mais elevado."
O recente retorno ao Celtic Park não apenas mexeu com as emoções de Brattbakk como também reavivou poderosas memórias. Afinal, apesar das várias conquistas com o Rosenborg e das 17 partidas que disputou com a camisa da Noruega, foi em Glasgow que ele considera ter vivido o momento mais glorioso da sua carreira. Aliás, para muitos torcedores do clubes escocês, o gol que ele marcou no dia 9 de maio de 1998 continua sendo um dos mais importantes da história doCeltic, equiparável ao tento com que Stevie Chalmers garantiu a vitória na final da Copa dos Campeões Europeus de 1967.
"Aquele gol nos deu o título na última rodada da campanha e impediu que o Rangers chegasse ao décimo campeonato consecutivo, o que teria superado o recorde do Celtic", explica Brattbakk. "Sem dúvida, foi o ponto alto da minha carreira. Embora seja seguido bem de perto pela vitória sobre o Milan no San Siro com o Rosenborg, e sobre o Real Madrid em Trondheim, o gol peloCeltic foi muito importante para muita gente. Havia muita coisa em jogo, e toda vez que lembro daquele dia, me sinto feliz por ter feito parte daquilo. Voar é sensacional, mas não dá para comparar com o tipo de alegria que o futebol nos proporciona em ocasiões como aquela."
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